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Dor neuropática: por que dói tanto e como o tratamento funciona

A dor neuropática é um tipo de dor crônica que pode ser intensa, persistente e difícil de tratar. Diferente da dor inflamatória ou muscular, ela surge a partir de lesões ou disfunções no próprio sistema nervoso. Mas afinal, por que a dor neuropática dói tanto? E como funciona o tratamento?

O que é dor neuropática?

A dor neuropática é causada por uma lesão ou alteração no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) ou no sistema nervoso periférico (nervos). Em vez de ser apenas um sinal de alerta para uma lesão, a dor passa a ser resultado de um erro no processamento das informações nervosas.

De acordo com critérios clínicos, a dor neuropática pode estar associada a condições como:

  • Neuropatia diabética
  • Neuralgia pós-herpética
  • Hérnia de disco com compressão nervosa
  • Lesão medular
  • Esclerose múltipla
  • Acidente vascular cerebral (AVC)

Por que a dor neuropática dói tanto?

A intensidade da dor neuropática está relacionada a alterações na forma como os neurônios transmitem e interpretam os sinais elétricos.

  1. Hiperexcitabilidade nervosa

Após uma lesão, os nervos podem se tornar hiperativos, enviando sinais de dor mesmo na ausência de estímulo real. Isso gera sensações como queimação, choques elétricos ou pontadas.

  1. Sensibilização central

No sistema nervoso central, pode ocorrer um fenômeno chamado sensibilização central, no qual o cérebro passa a amplificar os sinais dolorosos. Pequenos estímulos, como o toque da roupa na pele, podem causar dor intensa — quadro conhecido como alodinia.

  1. Falha nos mecanismos de inibição da dor

O organismo possui sistemas naturais de modulação da dor. Na dor neuropática, esses mecanismos podem estar comprometidos, reduzindo a capacidade de “frear” os impulsos dolorosos.

Essa combinação explica por que a dor neuropática é frequentemente descrita como intensa, persistente e desproporcional ao estímulo.

Principais sintomas da dor neuropática

Os sintomas da dor neuropática variam, mas geralmente incluem:

  • Sensação de queimação
  • Choques elétricos
  • Formigamento ou dormência
  • Dor em pontadas
  • Hipersensibilidade ao toque
  • Dor espontânea, sem causa aparente

O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente, exame neurológico e, quando necessário, exames complementares.

Como funciona o tratamento da dor neuropática?

O tratamento da dor neuropática é diferente do tratamento da dor comum. Analgésicos simples, como anti-inflamatórios, costumam ter pouca eficácia. O objetivo é modular o funcionamento do sistema nervoso.

  1. Antidepressivos

Medicamentos como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) e antidepressivos tricíclicos são amplamente utilizados. Eles atuam nos neurotransmissores envolvidos na modulação da dor, ajudando a reduzir a intensidade dos sintomas.

  1. Anticonvulsivantes

Fármacos como gabapentina e pregabalina estabilizam a atividade elétrica dos neurônios, diminuindo a hiperexcitabilidade nervosa característica da dor neuropática.

  1. Tratamentos tópicos

Em alguns casos, adesivos ou cremes com anestésicos locais podem ser indicados, especialmente na neuralgia pós-herpética.

  1. Abordagens intervencionistas

Quando a dor neuropática é refratária ao tratamento clínico, podem ser consideradas técnicas como bloqueios nervosos ou neuromodulação.

  1. Tratamento multidisciplinar

A dor crônica impacta o sono, o humor e a qualidade de vida. Por isso, o acompanhamento pode envolver fisioterapia, psicoterapia e estratégias de reabilitação.

Dor neuropática tem cura?

Em alguns casos, especialmente quando a causa é tratável, é possível obter remissão significativa da dor neuropática. Em outros, o foco é o controle dos sintomas e a melhora da funcionalidade.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de resposta terapêutica e reduzem o impacto da dor na vida do paciente.

Quando procurar um neurologista?

É importante buscar avaliação neurológica se houver:

  • Dor persistente com características de queimação ou choque
  • Dormência associada à dor
  • Dor após infecção por herpes-zóster
  • Histórico de diabetes com sintomas nos pés ou mãos
  • Dor crônica sem melhora com analgésicos comuns

O neurologista é o especialista indicado para identificar a causa da dor neuropática e indicar o tratamento mais adequado.

Conclusão

A dor neuropática é uma condição complexa, que resulta de alterações no sistema nervoso e pode causar sofrimento significativo. Entender por que ela dói tanto ajuda a compreender a importância de um tratamento direcionado e baseado em evidências.

Com as terapias disponíveis atualmente, é possível reduzir a intensidade da dor neuropática, melhorar a qualidade de vida e devolver funcionalidade ao paciente. O acompanhamento especializado é fundamental para um manejo eficaz e seguro.

Fabricio Costa Hampshire - Doctoralia.com.br